Theatro Gil Vicente

O teatro Gil Vicente foi e continua a ser um equipamento cultural de grande importância para os barcelenses.

Sem qualquer espécie de dúvida, constituiu, durante a maior parte do século vinte, a única casa capaz de albergar as realizações de grande vulto que ocorreram em Barcelos, quer de ordem cultural e recreativa, quer mesmo de ordem política e religiosa. Por ali passaram várias gerações que se enriqueceram culturalmente, sobretudo das classes menos favorecidas que não tinham dinheiro para se deslocarem a outras terras para assistirem à representação de peças de teatro e verem cinema.

O teatro Gil Vicente faz parte, por isso, da memória coletiva da cidade, e porque não dizê-lo, do concelho de Barcelos.

O velho edifício esteve ferido de morte durante muito tempo, aguardando a execução de um projeto de recuperação. Atualmente, guardamos, apenas, a memória dos espectáculos de teatro e das diversas sessões cinematográficas e outras ali realizadas.

Mas, antes de existir um edifício próprio e condigno para as representações teatrais, o teatro, em Barcelos, foi representado em diversos locais, entre os quais, nos Solares dos Nobres, no Paço dos Condes/Duques, no Solar dos Pinheiros, no antigo quartel do Regimento de Infantaria 20, no antigo quartel dos Bombeiros e em diversos  barracões levantados no Campo da Feira.

O começo do século passado concretizava uma velha aspiração e os barcelenses viam edificar-se uma casa de espetáculos que, com algumas deficiências, permitia a realização de peças de teatro.

A sua construção deveu-se à vontade indómita de um punhado de naturais, entre os quais salientamos, os irmãos António e Abel Fiúza, Manuel Viana e os Drs. Martins Lima, Rodrigo Veloso, António Ferraz e José Vieira Ramos que, nos finais do século XIX, começaram a pensar na edificação de um espaço próprio e condigno para representar essa nobre Arte de Talma.

Assim, em 21 de Agosto de 1893, era formada, definitivamente, a Empresa Teatral Gil Vicente, que veio a ser constituída por vários acionistas, tendo tido como primeiro presidente da direção, o Dr. Martins Lima, médico e líder local do Partido Republicano Português.

Não foi sem dificuldades que o processo de edificação do teatro avançou. Desde logo, o seu projeto, da autoria do engenheiro civil António José Lima, nosso conterrâneo, haveria de levantar acesa polémica, sendo as críticas mais contundentes veiculadas por “A Lágrima”. Em vários números, a redação deste quinzenário humorístico e ilustrado local não poupou o projeto, nem o seu autor. Esta polémica envolveu outros dois jornais, os semanários locais “Folha da Manhã” e “O Comércio de Barcelos”, embora favoráveis ao projeto, e a quem aquele quinzenário acusava de falta de imparcialidade.

Depois, o pagamento das ações subscritas prolongou-se por demasiado tempo, o que impediu a disponibilização, em tempo útil, das verbas necessárias.

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