Decorreu hoje, em Barcelos, a 1.ª Jornada Regional das Famílias e Saúde Mental, uma iniciativa de reflexão, debate e compromisso, no sentido de encontrar respostas mais eficazes e abrangentes para as necessidades da saúde mental.
Promovida pelo Município de Barcelos, pela Coordenação Nacional das Políticas da Saúde Mental e pela FamiliarMente – Federação Portuguesa das Associações das Famílias de Pessoas com Experiência de Saúde Mental, esta iniciativa teve a presença da Secretária de Estado, Ana Povo.
A sessão de abertura contou com intervenções do Diretor da Casa de Saúde S. João de Deus, Luís Daniel, da representante da Coordenação Regional de Saúde Mental, Teresa Dolgner, da Presidente da FamiliarMente, Joaquina Castelão, da Vereadora da Câmara Municipal, Mariana Carvalho, e da Secretária de Estado da Saúde, Ana Povo.
Num segundo momento, realizou-se uma mesa-redonda sob o tema “Urbanismo e Famílias – Outra forma de Bem-estar”, com moderação de Elsa Montenegro Marques, Professora no Instituto Superior de Serviço Social do Porto, no decorrer da qual participaram António Ribeiro, Vereador da Câmara Municipal de Barcelos; Cláudia Vieira, Vereadora da Câmara de Gondomar, e Manuela Castanheira, Vereadora da Câmara de Vila Pouca de Aguiar.
Sensibilização e promoção de políticas na área da saúde mental
A 1.ª Jornada Regional das Famílias e Saúde Mental constituiu um passo importante na sensibilização e promoção de políticas que vão ao encontro das necessidades de todos os envolvidos na área da saúde mental, mas especialmente das famílias e cuidadores informais – muitas vezes o “doente oculto” – que enfrentam, diariamente, imensos desafios. De acordo com estudos internacionais, cerca de 1 em cada 4 pessoas sofrerá de algum tipo de transtorno mental ao longo da vida. Em Portugal, a realidade não é diferente, com dados a indicar que um quinto da população sofre de alguma perturbação psiquiátrica, o que equivale a mais de 2 milhões de pessoas a viverem com dificuldades significativas no seu bem-estar psicológico. Para além disso, Portugal é o segundo país com a mais elevada prevalência de doenças psiquiátricas na Europa, apenas ultrapassado pela Irlanda do Norte. Estes números, alarmantes, exigem uma resposta integrada, pois a saúde mental não é apenas uma responsabilidade dos profissionais da área, mas também de toda a sociedade. Nesse sentido, é importante reconhecer o papel fundamental das famílias e dos cuidadores informais nesta problemática. Muitas vezes, os familiares e amigos das pessoas com doenças mentais tornam-se os “doentes ocultos”, lidando com os desafios de cuidar e apoiar os seus entes queridos sem o devido apoio e reconhecimento. São eles que enfrentam as dificuldades emocionais, sociais e financeiras, muitas vezes sem os recursos adequados para fazer face às necessidades do seu familiar. A família deve ser reconhecida não só como um apoio fundamental, mas também como um pilar que precisa de ser apoiado e dotado de ferramentas adequadas para que o seu papel seja eficaz e sustentável.
Foi precisamente para dar resposta a estas necessidades e aumentar a qualidade de vida das pessoas com doença mental e das suas famílias que se realizou esta 1.ª Jornada Regional, no sentido de promover a reflexão, o debate e o compromisso de todos os intervenientes, para que, em conjunto, se encontrem respostas mais eficazes e abrangentes para as necessidades da saúde mental.