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Galeria dos Mestres Artesãos

1879

Rosalina Pereira

Rosalina Rodrigues Pereira

Não se sabe a data exata do nascimento da artesã Rosalina Pereira, certo é que nasceu, no ano de 1879, no lugar de Sto. Amaro, em Galegos Sta. Maria, e que era filha de João Rodrigues e Maria Pereira.

O seu labor sempre foi o de jornaleira, contudo, quando casou, aos 43 anos, com João Domingos da Rocha, mais conhecido por Domingos “Côto”, célebre artesão deste concelho, construiu uma nova vida ligada à arte popular.

Antes deste casamento, Rosalina teve um filho, Manuel Pereira, seu único descendente. Também ele preconizou uma vida ligada ao barro, juntamente com a sua esposa, Ana “Baraça”.

Rosalina depressa se deixou deslumbrar pelos encantos do barro. Passou a dedicar-se, essencialmente, à feitura de “loucinha de brincar”, termo utilizado para caracterizar pequenas figuras, como por exemplo, bonequinhas, passarinhos ou apitos, que serviam muitas vezes para entreter as crianças, “eram os brinquedos de antanho”.

Embora de uma simplicidade extrema, as suas criações expressavam nitidamente a riqueza de uma vivência pura e campesina, mas cheia de simbolismo e singeleza. A pobreza das cores, que caracterizava as suas peças, dava aos seus “bonecos” um fascínio recatado e, ao mesmo tempo, belo.

Desconhece-se a data da morte desta artista popular, no entanto, pensa-se que terá falecido, por volta de 1950, em Galegos Sta. Maria.

Deixou este mundo com uma longa história de vida e de labor onde depositou paixão e dedicação, como tantos outros com “vidas de barro”.

1880

Manuel Valada

Manuel Gonçalves Valada

Manuel Valada nasceu, a 3 de Maio de 1880, em Galegos Sta. Maria, e era proveniente de uma família de origem barrista. Foi pai da conceituada artesã Ana “Baraça”.

Valada foi rodista e dedicou-se, principalmente, à feitura de cerâmica rústica (cerâmica de tom alaranjado torrado, quase avermelhada) destinada aos usos domésticos. Fazia peças como alguidares, infusas, canecas, cântaros e potes. Também fez algum figurado, tipo de artesanato que lhe permitia expandir a sua imaginação.

Manuel Valada, como muitos homens daquele tempo, emigrou muito novo para o Brasil. Permaneceu neste país cerca de vinte anos, onde continuou a arte que, sublimemente, lhe saía das mãos. Quando regressou a Portugal, ampliou a oficina e continuou a trabalhar durante muitos anos acompanhado da esposa Luísa Lopes, também barrista, e dos filhos.

Apesar da forte tradição barrista existente na freguesia de Galegos Sta. Maria, ainda hoje bem visível, este homem do povo foi um dos mais distintos da sua geração.

Expirou aos 79 anos, na terra que o viu nascer, no dia 27 de Março de 1960. Após o seu falecimento, ficou a certeza de que da sua obra, quer através da sua vida, quer através da sua história, emanou um legado artístico e admirável que se perpetua no trabalho de muitos artesãos da actualidade.

1888

Rosa “Ramalho”

Rosa Barbosa Lopes

Rosa Barbosa Lopes, vulgarmente conhecida por Rosa “Ramalho”, nasceu, a 14 de Agosto de 1888, no lugar da Cova, na freguesia de Galegos S. Martinho.

Sua avó, sempre que saía de casa, recomendava ao seu filho, aquele que veio a ser pai de Rosa, – “ não saias daqui, põe-te à sombra dos ramalhos!” – queria dizer que brincasse à sombra de umas árvores que existiam lá perto. Nasceu assim o apelido que se imortalizou com esta artesã barcelense – “Ramalho”.

Aos sete anos, para ganhar algum dinheiro, foi para casa de uma vizinha que modelava bonecos ou, melhor dizendo, umas figuras imperfeitas de barro. Começou por fazer tiras para cestas, com o intuito de imitar umas ciganas, por quem tinha passado um dia, e que faziam cestas em vime.

Filha de Luís Lopes, um modesto sapateiro, e de Emília Barbosa, uma tecedeira, nunca teve a possibilidade de frequentar a escola.

Aos 18 anos casou com António Mota, moleiro de profissão, e teve oito filhos (três morreram à nascença). Durante os anos que esteve casada, quase cinquenta, Rosa pôs de parte o seu trabalho como barrista e passou a dedicar-se ao mesmo ofício do marido. Ao mesmo tempo, fazia a lida da casa e criava os filhos. O barro passou a ser apenas um divertimento que servia para entreter as crianças nas suas brincadeiras.

Com a morte do seu marido, em Junho de 1956, tinha ela quase 68 anos, abandonou a profissão de moleira. Volta a trabalhar no barro, material que a acompanhou até ao final dos seus dias, com o propósito de ganhar algum dinheiro, e depressa a arte de modelar a “imaginação” se torna na sua paixão. A partir daí, começou a frequentar feiras e romarias, locais onde escoava facilmente os seus trabalhos, espalhadas por todo o país mas, principalmente, pela zona do Porto. Foi nessa altura, em meados da década de 50, que a sua obra despertou a curiosidade de uns jovens estudantes, alunos da Escola Superior de Belas Artes do Porto. A sua presença nas feiras daquela cidade conduziu ao conhecimento público deste “fenómeno” do artesanato português, que rapidamente passou a ser divulgado nos jornais e revistas.

Foi em 1958, a partir de um encontro com um amigo “célebre”, que nasceram as peças assinadas da Rosa “Ramalho”. Jaime Isidoro, assim se chamava, desenhou “RR” num papel e disse-lhe que aquelas duas letras significavam o seu nome e que seriam o suficiente para que as suas peças fossem reconhecidas e tivessem um símbolo de autenticidade. A partir daí, todos os bonecos de Rosa passaram a ter este monograma, referência que marcou para sempre o artesanato local.

Rosa foi crescendo em popularidade, assim como a sua obra.

O primeiro figurado que modelou foi em chacota (barro por cozer), pintada com tintas não cerâmicas, de cor verde, vermelha e azul, e em chacota sem pintura. Só mais tarde é que começou a fazer figurado vidrado, com cores, principalmente castanho melado.

Senhora de uma criatividade única, inspirada pela lacónica realidade que a envolvia, modelava peças que retratavam as cenas do quotidiano popular, como por exemplo, a matança do porco, mulheres em carros de bois, pombas e músicos, assim como, peças inspiradas no mundo místico das procissões, santos e anjos. Para além destas, produziu uma vasta obra imbuída de um universo que, enquanto criança, a perturbava – “o mundo dos monstros”. Lobisomens, feiticeiras, diabos, bichos informes, entre outras figuras, marcaram um imaginário enigmático e original. Esta vertente da sua obra, fantasmagórica e inimaginável, distinguiu-a de tantos outros barristas desta região, dando-lhe um reconhecimento público que, ainda hoje é notório pelo mundo fora.

Fez inúmeras exposições por todo o país e além fronteiras. Chegava a ser procurada por inúmeras pessoas, ilustres e anónimos, na sua própria casa, onde apreciavam e compravam as suas peças. A fama não lhe mudou a vida. Continuou ela própria, pobre, humilde, simpática, de gestos simples mas simbólicos.

Do seu extenso currículo destacam-se duas distinções:

– 14 de Setembro de 1964 – Medalha “As Artes ao Serviço da Nação”, na Feira de Artesanato de Cascais;

– 24 de Setembro de 1964 – Prémio do melhor conjunto de Figurado, no Concurso de Artesanato realizado em Barcelos;

Mulher de estatura baixa, dona de um olhar imenso, sempre vestida de preto, artista popular de Galegos S. Martinho, faleceu, a 24 de Setembro de 1977, aos 89 anos.

É, atualmente, uma artista de culto, muito procurada por coleccionadores e amantes da arte nacional.

1901

Rosa Cota

Rosa Faria da Rocha

Rosa Faria da Rocha, vulgo Rosa “Côta”, nasceu, em Galegos Sta. Maria, no lugar de Sto. Amaro, a 24 de Maio de 1901. Filha de barristas genuínos, Domingos “Côto” e Emília Faria da Rocha, cedo se deixou seduzir pelos encantos do barro.

O apelido “Côta” herdou-o do seu pai quando este comprou uma casa a uma “mulherzinha côta de um dedo”. Ficou, desde aí, conhecida pela casa dos “Côtos”. Este apelido permaneceu ao longo das gerações e é, atualmente, um dos nomes consagrados da arte popular desta região.

Juntamente com os sete irmãos, cresceu rodeada de barro frio e molhado, aquele que foi o sustento de toda a família, companheiro dos bons e dos maus momentos. Aos 14 anos, depois da morte da sua mãe, passou a ser responsável pelas tarefas da casa e pela educação dos irmãos.

Casou aos 20 anos com Eduardo Fernandes de Sousa (Percina), também ceramista de nome conceituado, com quem teve oito filhos. Eduardo ajudava-a no fabrico de algumas peças. Fazia os “cabaços”, termo popularmente usado e que designa o conjunto do tronco e membros inferiores das bonecas, na roda de oleiro que, posteriormente, Rosa perfazia e enfeitava à medida que a sua fértil imaginação brotava inspiração para as suas mãos.

O seu figurado começou por ser simples, inspirado em quadros usuais do quotidiano. Contudo, foram peças marcadas pela excentricidade, como “gigantones” e “taralhotos” que a prestigiaram. Rapidamente alcançou o reconhecimento público.

Do seu currículo destacam-se as várias distinções que alcançou em feiras de Artesanato por todo o país.

Rosa “Côta” faleceu, com 81 anos, no dia 30 de Janeiro de 1983, deixando para a posteridade um património artístico memorável, entre os entusiastas do artesanato, e um legado importante para o simbolismo e mística da arte popular barcelense.

1904

Ana Baraça

Ana Lopes Gonçalves Valada

Ana Lopes Gonçalves Valada, vulgo Ana “Baraça”, nasceu, em Galegos Sta. Maria, a 26 de Maio de 1904. Filha de Manuel Valada e Luísa Lopes, memoráveis artesãos deste concelho, começou a fazer “bonecos” muito cedo. Com sete anos fez as primeiras peças, principalmente galinhos, e aos 15 já colocava as suas próprias criações no forno do pai.

Na feira de Barcelos, juntamente com os seus pais, vendia o pequeno e modesto figurado a 10 réis cada peça.

Devido às dificuldades económicas viu-se, temporariamente, afastada do barro quando foi servir na lavoura, até aos dezassete anos. Esta razão influenciou bastante as temáticas e estéticas que, mais tarde, utilizou nas suas criações.

Casou, a 28 de Maio de 1935, com Manuel Pereira, também ele oleiro e rodista. É deste casamento que surge o apelido “Baraça”. O seu marido, quando era solteiro, tocava viola nas romarias das freguesias, instrumento que enfeitava com “baraças” (tiras em tecido) que ficavam penduradas e que chamava a atenção dos viandantes. Também porque usava uma “baraça” nas calças no lugar de um cinto. O apelido “pegou” e, indexado a “Ana”, consagrou-se no artesanato barcelense.

Depois de casada, dedicou-se à feitura de galos, durante cinco anos, que pintava cautelosamente com a ponta de um prego, método que manteve em segredo bastante tempo.

Após um parto complicado, que a deixou com a saúde debilitada, abandonou a produção de galos e retomou, definitivamente, o figurado. Tornou-se uma das maiores criadoras deste tipo de artesanato na região com peças, essencialmente, ligadas à agricultura, tais como juntas e carros de bois e arados. Modelava tudo o que a rodeava, de uma forma terna, mas carregada de simbolismo e expressão única.

Os seus métodos de trabalho eram puramente artesanais e de uma grande singeleza. O barro tratado manualmente com a enxada, a criação das figuras feitas à mão, sem a ajuda de qualquer molde, o forno de cozedura bastante primitivo, em pedra e a lenha, a veracidade das suas pinturas manuais, muito coloridas e atractivas, foram elementos que caracterizaram a arte desta artesã.

Figura tutelar do artesanato barcelense, referência artística, Ana “Baraça”, aos 81 anos, foi condecorada pelo Presidente da República, a 8 de Março de 1985, com o grau de Oficial do Infante D. Henrique, em homenagem à sua vida e obra artística. Ana “Baraça” era uma mulher alegre, com um sorriso permanente, irradiadora de uma confiança e autonomia incrível.

Faleceu, a 27 de Março de 2001, com quase 97 anos, deixando para trás uma vida feita de “barro”. Deu ao figurado de Barcelos uma projecção única, só comparável à acção de Rosa “Ramalho” e Rosa “Côta”.

A criatividade e simplicidade desta mulher do povo, campestre e humilde, marcaram uma expressão artística muito própria, ainda hoje referencial numa das famílias consagradas da arte popular – os “Baraças”, nome que ela própria imortalizou e legou ao artesanato local.

1911

Francisco Branco

Francisco de Val Caseiro

Francisco de Val Caseiro nasceu, a 24 de Abril de 1911, na freguesia de Areias de S. Vicente. De apelido familiar “Branco”, aprendeu o ofício muito jovem, por volta dos treze anos de idade.

Em 1938 emigrou para o Brasil, onde viveu durante onze anos. Regressou a Portugal para seis meses mais tarde voltar às terras de Vera Cruz, e daí para a Venezuela, onde trabalhou como operário.

Em 1963 regressou definitivamente a Portugal para viver na sua aldeia onde exerceu o ofício de oleiro e ceramista na feitura tanto de peças decorativas e utilitárias (louça preta e louça branca) como de figuras modeladas. A sua cerâmica tinha características bem pronunciadas, cores fortes e vivas e formas estéticas de grande valor. Fazia peças em vidrado, especialmente canecas, canecas de segredo, moringas e vários ensaios de azulejos, assim como, figuras decorativas bastante típicas. Elaborou ainda pequenas “malgas de compota”, muito funcionais, que ficaram conhecidas em toda a região.

Dedicou-se durante algum tempo à feitura de louça preta, ficando conhecido a esse propósito pelo “Sr. Branco da louça preta”. Uma ironia na vida de um homem que deu que falar, por volta do ano de 1978, ao expor a sua visão sobre o 25 de Abril através de figuras modeladas. Imagens que correram o país em jornais e revistas acompanhadas de depoimentos que retratavam um homem autêntico, determinado e de ideias bem definidas.

“Branco” é recordado, atualmente, como um homem que queria ser eterno para ver imortalizada a sua obra e criatividade como ceramista.

Faleceu no dia 24 de Julho de 1979, e com ele uma visão muito própria do mundo que agora se homenageia, dando forma a um dos seus desejos, a imortalização da sua obra.

1911

Maria Esteves

Maria Esteves Gonçalves Barbosa

Maria Esteves Gonçalves Barbosa nasceu no dia 27 de junho de 1911, no lugar de Santo Amaro, na freguesia de Galegos Santa Maria, tendo herdado da família o ofício que lhe moldou a vida ao longo de todo um século!

Filha de Manuel Gonçalves Barbosa e de Joaquina Esteves, é a mais velha os nove irmãos. A sua mãe trabalhara no barro, e das olarias também fizeram vida os seus av6s maternos – João Esteves e Luísa Araújo.

Mulher de um inesgotável baú de me­m6rias vivas, Maria menina e moça nunca aprendeu a ler nem a escrever. Culpa d pai. “Raparigas não apren­dem a ler1 para depois não andarem a escrever cartas aos namorados”.

Começou, em menina, a mexer no barro, fazendo galinhos de apito, uma das peças do tradicional figurado de Barcelos. Em casa, juntamente com seus pais, fabricava as louças que havia de vender, de canastra à cabeça, pelas aldeias vizinhas de Galegos Santa Maria.

Com a chegada dos filhos, de dia fazia a lida da casa e à noite metia as mãos no barro, modelando peças que garantiam algum do sustento da família. Após falecimento do marido em 1989, a barrista continuou a trabalhar no barro, mas aos 80 anos já quase produzia bonecos apenas para levar à feira de Matosinhos, onde marcava presença consecutiva há 57 anos, antiguidade que mereceu uma distinção por parte do Município de Matosinhos.

Para além dos “pitos”, na obra da artesã despontam os músicos, os santos, os animais, os cristos, os apitos e as figuras do mundo rural, peças que representam a base do “figurado de Barcelos”, cuja produção tem perdurado ao longo dos tempos. Maria Esteves é parte integrante da história e estórias da tradição oleira do concelho barcelense.

Prestes a completar 102 anos de vida, Maria Esteves falece a 9 de Fevereiro de 2013, vítima de uma pneumonia.

1912

João “Côto”

João Faria da Rocha

João Faria da Rocha, mais conhecido por João “Côto”, filho de Domingos “Côto”, nasceu, a 10 de Agosto de 1912, no lugar de Sto. Amaro, na freguesia de Galegos Sta. Maria.

A sapiência de tão célebre arte foi-lhe dada pelos pais, em especial pela experiência e sabedoria de Domingos “Côto”, conceituado artesão barcelense do início do séc. XX. Aos 15 anos tornou-se rodista, ofício que lhe proporcionou estabilidade familiar durante muitos anos.

As peças que modelava com as mãos, ajudadas pela roda de oleiro, eram, essencialmente, de cariz utilitário, como era tradição olárica da época. Mais tarde, já casado com Isabel Lopes da Silva, iniciou-se na feitura de galos.

Em 1976 passou a dedicar-se ao figurado. As peças eram representações do quotidiano, reflexo do mundo rural e do sagrado e testemunhas do seu inócuo e singelo viver. Embora, menos afamado que outros, as alminhas, os apitos e as juntas de bois, conduziram este homem simples ao reconhecimento popular deste concelho.

Faleceu a 19 de Novembro de 2001, mas para a eternidade deixou o seu legado artesanal marcado na identidade cultural deste concelho.

1913

António “Côto”

António Faria da Rocha

António Faria da Rocha, ou António “Côto”, nasceu em Galegos Sta. Maria, no lugar de Sto. Amaro, no dia 15 de Maio de 1913. Do seu pai, Domingos “Côto”, herdou o talento de criar através do barro, dando forma à sua imaginação.

Começou a arte em tenra idade. Simultaneamente, com os irmãos, ajudava os seus pais na modelação de louça à roda e de pequenas peças de figurado. Casou com Maria “Sineta”, ilustre artista do figurado barcelense.

Começou por trabalhar como rodista. Infusas, cântaros e canecas são apenas alguns exemplos característicos da olaria rústica, o tipo de artesanato que melhor fazia. Também ajudou a sua esposa na produção de figurado. António “subia” à roda os “cascos” dos galos que Maria “Sineta”, depois, embelezava e aprontava à sua maneira.

Talvez, influenciado pelos trabalhos da mulher, mais tarde, deu forma a uma série de criações próprias, ao nível do figurado, dando corpo à sua imaginação. Inspirado por cenários da vida diária, nelas empregava um carácter forte, indicativo da sua rigorosa personalidade.

Expirou, a 24 de Setembro de 2000, em pleno despontar do Outono. O seu nome e legado são, ainda hoje, atuais no contexto do artesanato local.

1915

Maria “Sineta”

Maria de Jesus Fernandes Coelho

Natural de Galegos S. Martinho, Maria de Jesus Fernandes Coelho, popularmente conhecida por Maria “Sineta”, nasceu a 6 de Abril de 1915.

Seus pais, Manuel Lopes Fernandes, jornaleiro, e Júlia Duarte Coelho, costureira, faziam figurado aos serões. Foi com eles que aprendeu os encantos da arte.

O apelido “Sineta” surgiu porque o seu pai, durante muitos anos, foi o tocador do sino da Igreja da freguesia de Galegos S. Martinho. Com um imaginário fantástico sempre presente na sua vida, fez as primeiras peças por volta dos sete anos.

Perante as dificuldades da vida, aos doze anos, saiu de casa para servir em moradias senhoriais. Mais tarde, voltou para casa de sua mãe que adoeceu, e ela, a mais velha de três irmãs, teve que cuidar da família, como era tradição da época.

Casou com quase 20 anos, a 13 de Fevereiro de 1935, com António Faria da Rocha, oleiro e filho de Domingos “Côto” e continuou a fazer “bonecos”. Do seu inumerável figurado, destacaram-se peças alentadas nos mistérios deste país, como por exemplo as “Repúblicas” – “mulheres ou bustos femininos cujo vestuário era inspirado nas cores da bandeira nacional”. Também fez outras figuras, especialmente retratos da vida quotidiana do seu tempo.

Durante anos apregoou a sua louça pelas ruas do Porto onde chegou a fazer grandes caminhadas, sempre muito carregada. As histórias que contou aos “seus” sobre as suas andanças ainda perduram na memória de todos.

Maria “Sineta” era uma mulher muito divertida e de uma alegria contagiante. Sempre muito conversadora e festeira, gostava de dar nas vistas com as suas roupas coloridas. Lenços e saias de cores fortes eram parte do vestuário que não dispensava. Diz quem a conheceu, que a sua louça reflectia a sua forma de ser bastante pândega e pitoresca.

Foi a 10 de Março de 1996, aos 81 anos, que desapareceu esta referência do artesanato local e com ela um estilo singular de interpretar a vida e a arte popular.

1921

Mistério

Domingos Gonçalves Lima

Domingos Gonçalves Lima nasceu, em Galegos S. Martinho, a 29 de Agosto de 1921. Cedo foi morar para a freguesia vizinha, Galegos Sta. Maria, no lugar de Sto. Amaro.

É um dos barristas mais afamados desta região.

A alcunha “Mistério” deveu-se ao facto de o artesão, enquanto criança ser tão delicado, que todos diziam ser um mistério continuar a viver. Aos três anos ainda não andava e dava mostras de grande fragilidade. No tempo das “amoras”, um senhor, namorado de uma tia, pegava-o pela mão e dizia-lhe: “anda meu menino, és tão fraquinho que pareces um mistériozinho, anda apanhar amoras”. Todavia, o nome ficou, e o “mistériozinho” tornou-se um homem robusto, dono de um dom inigualável e de uma imaginação fértil.

Filho de mãe solteira, foi criado pela avó materna, Rosa Gonçalves Lima, também ela barrista.

Inicialmente, fazia coisas simples, juntamente com a sua avó, para vender na feira em Barcelos. Peças que retratavam a imaginação infantil e faziam notar a ausência de experiência na arte de moldar o barro, mas que tinham grande aceitação junto do público pela originalidade das formas.

Começou a mexer no barro com mais afeição e determinação, aos 12 anos, graças à sua Tia Teresa, vulgo Teresa “Carumas”, também ela barrista consagrada deste concelho.

Não chegou a frequentar a escola. A necessidade de trabalhar cedo não lhe deixou tempo para isso. Contava que sabia assinar o seu nome porque, um dia, alguém o escreveu e ele decorou-o.

Para ganhar dinheiro andou pelas feiras a vender louça por conta de outrem. Mas, rapidamente, percebeu que o melhor era produzir as próprias peças, já que era constantemente procurado por pessoas que lhe perguntavam pela loiça que muito admiravam na época em que fazia a feira semanal com a avó.

Casou, no dia 4 de Março de 1944, com Virgínia Coelho Esteves. Desta união nasceram doze filhos. Todos colaboravam diariamente neste trabalho que era o sustento da família. Enquanto os rapazes ajudavam na modelação de peças, as raparigas, juntamente com a mãe, dedicavam-se à pintura das mesmas. O processo de trabalho era o mais artesanal possível. As peças eram modeladas e pintadas manualmente e a cozedura era feita em forno a lenha.

Mistério fez uma imensa variedade de figurado. Em todas as peças que criava depositava um toque de ironia. Inspirava-se naquilo que o rodeava. Abordava temáticas como o mundo rural, reproduzindo matanças do porco, juntas de bois e animais diversos. Criado numa família profundamente religiosa sofreu também influências desta índole, espelhadas nas alminhas, santos populares, presépios, Reis Magos, Ceias, Nascimento e Morte de Jesus. Também criou figurações do universo fantástico com fortes componentes satíricas, como por exemplo, o Diabo com Forquilha. Produziu ainda modelos tradicionais da região de Barcelos como pombais, apitos e rouxinóis, peças que ainda marcam a identidade do artesanato local.

Com uma panóplia de cerca de 600 criações diferentes, ensinou a sua arte a crianças em várias escolas.

Ganhou o primeiro prémio no III Salão de Artesanato do Casino Estoril com a peça Procissão Minhota, em 1983. Fez várias exposições por todo o país e também no estrangeiro como em Madrid e Vigo.

Desapareceu a 24 de Março de 1995, com 73 anos de idade, este vulto do figurado português.

A sua herança e obra, para engrandecimento da arte popular barcelense, continua a emanar das mãos dos seus filhos, com a singeleza e arte que ele lhes legou.

1923

Lurdes Vigo

Maria de Lurdes Alves Macedo

Maria de Lurdes Alves Macedo nasceu a 19 de Outubro de 1923, no Lugar da Portela, em Galegos St.ª Maria. Filha de Virgínia de Jesus Alves Macedo, que se notabilizou na terra pela elaboração dos tradicionais bonecos de barro. Foi precisamente com a Sr.ª Virgininha do Vigo que aprendeu desde tenra idade a modelar pequenos bonecos, mantendo uma “tradição familiar”, uma vez que a sua avó e bisavó também eram artistas na arte do barro… Lurdes dizia que “tudo o que sabe aprendeu em solteira com os seus familiares”. Como era normal naquele tempo, começou cedo a contribuir para a economia familiar através da elaboração de pequenos bonecos, peças e tarefas. Dos seus pais herdou também o apelido de “Vigo”, curiosa alcunha que deriva do facto do seu pai em miúdo ter o vício de mexer no umbigo. Em virtude desse facto a Mãe chamava-lhe “viguinho”, alcunha que rapidamente passou para os amigos e se fixou pela vida fora do seu pai, “o nome pegou e ficou para sempre”. Depois de casado o nome passou para a esposa e para os filhos. Esta é a explicação para o facto de Lurdes ser conhecida por “Vigo”.

Contemporânea de grande parte da geração que elevou o artesanato de Barcelos para os patamares que hoje lhe são reconhecidos, esta artesã sacrificou contudo grande parte da sua vida a criar os seus 14 filhos (casou aos 18 anos), facto que lhe retirou tempo para criar tudo que “tinha na alma”.

Com 85 anos, depois de uma “vida de Barro” e de ser o sustentáculo de um sistema de vida familiar matriarcal, recorda com saudade a vontade que tinha de exprimir a sua imaginação através do barro. Ao longo da vida, fez todo o tipo de peças presentes nas categorias do figurado tradicional, embora os animais, os santos e a religião, fossem os mais representativos da sua obra. Mas confessou que o que mais gostava de fazer eram “os galos e as pitinhas”. Fez peças em figurado pintado, mas a sua marca é naturalmente o figurado vidrado.

Dos catorze filhos apenas a Conceição, conhecida por Sapateira, continuou a arte da família, tendo um dia afirmado com orgulho “ela concretizou o meu sonho” – a continuidade da arte e da tradição da família materna.

Lurdes Vigo faleceu a 21 de Junho de 2018.

1924

Virgínia “Mistério”

Virgínia Coelho Esteves

Virgínia Coelho Esteves, nasceu a 22 de Maio de 1924 na freguesia onde sempre viveu, Galegos de Santa Maria. Nascida no seio de uma família de barristas, cedo se iniciou nas lidas do barro.

A 4 de março de 1944, casou com Domingos Gonçalves Lima, o “Mistério”, e desta união nasceram doze filhos e todos colaboravam diariamente na elaboração de peças artesanais que era o sustento da família.

Esta artesã que sempre acompanhou o percurso artístico do seu marido, para além de esposa era a companheira de trabalho. Notabilizou-se sobretudo pelas colorações e pinturas de cores vivas e alegres, sendo considerada uma das mais importantes pintoras do figurado barcelense. Mesmo após o falecimento do seu marido, em março de 1995, Virgínia continuou a trabalhar juntamente com os seus dois filhos (Manuel e Francisco) que decidiram continuar este ofício e perpetuar a obra de seu pai.

Virgínia, a mulher que dava cor e vida ao afamado figurado do mestre Mistério, deixa-nos a 29 de Outubro de 2013.

1930

João “do Monte”

João Evangelista da Silva e Souza

João “do Monte”, como era artisticamente conhecido, nasceu, na freguesia da Pousa, a 2 de Abril de 1930.

Desde cedo aprendeu a lidar com a argila, juntamente com os seus pais e avós. O apelido era uma homenagem ao seu avô, João Baptista de Souza, também tratado por João “do Monte”, por trabalhar no cimo de um monte a fazer telhas.

Dedicou-se à arte da cerâmica até aos 21 anos, momento em que emigrou para o Brasil. Naquele país, trabalhou nas cerâmicas de Santa Cruz, Pompeia, Manarine e Spadaccia, onde aplicou as técnicas e saberes adquiridos em Barcelos.

Fixou-se na localidade brasileira de Valinhos onde instalou um atelier próprio e construiu uma galeria para expor os seus trabalhos e também de outros artistas.

De facto, foi no Brasil que o seu percurso artístico foi mais reconhecido. Contudo, nas suas criações eram notórias as influências lusitanas e a paixão pelo país onde aprendeu o ofício da sua vida. As suas obras mostram que, para além de um escultor do barro, também era um barrista tradicional, sempre em constante ligação com a arte popular desta região.

João “do Monte” visitava constantemente Portugal. Revia amigos e familiares e, ao mesmo tempo, dava a conhecer os seus trabalhos.

Foi várias vezes homenageado em Portugal expondo, em 1988, na Galeria de Arte Pop Cave e na Casa do Crivo, em Braga. Participou na exposição de Regionais da Cerca de Barcelos e, no mesmo ano, foi condecorado com 4 medalhas (Lenda do Passarinho, Lenda do Senhor do Galo, Milagre das Cruzes e Feito do Alcaide Faria) atribuídas pelo então Presidente da Câmara de Barcelos, Dr. João Machado.

Faleceu em Valinhos, São Paulo (Brasil), no dia 16 de Junho de 1996.

Embora pouco popular entre os artistas do artesanato barrista do concelho, João “do Monte” foi, sem dúvida, um franco impulsionador da cultura artesanal olárica e identidade barcelense em terras de Vera Cruz.

1931

Manuel “Barbeiro”

Manuel Joaquim Pereira Miranda

Manuel “Barbeiro”, apelido que recebeu de seu pai que tinha por profissão a de barbeiro, tem como nome de nascimento Manuel Joaquim Pereira Miranda. Nasceu a 9 de junho de 1931, na Freguesia de Galegos Sta. Maria, numa família humilde e sem grandes posses.

Filho de Eduardo Agostinho Pereira e de Maria Miranda Esteves, ambos naturais de Galegos Sta. Maria, perdeu o seu pai ainda novo, mas dele herdou o gosto pelo trabalho na barbearia do pai e pelo trabalho com o barro, juntamente com sua mãe.

Manuel Barbeiro nasceu com o destino traçado. Seu pai era rodista, mas “aos sábados à noite e ao domingo era barbeiro” e sua avó, Carolina Rosa Esteves e mãe, para este artesão, representam o princípio do figurado. Por isso, “desde rapazinho juntamente com a irmã começaram a trabalhar com o figurado”.

Aquando da morte de seu pai, Manuel “já se ia desenrascando na barbearia e nos bonecos” e ficou responsável, juntamente com a mãe, pelos quatro irmãos. Continuaram a viver do barro e daquilo que a barbearia dava.

Inicialmente vendiam apenas na feira de Barcelos, sobretudo para “aquelas regateiras que vinham do Porto”. Mais tarde vendiam também para um armazém em Galegos S. Martinho, e lá ”ia ele e os seus irmãos de cestinho à cabeça levar os bonequitos e como tinham mercearia aproveitavam para trazer arroz” e o que fazia falta em casa. Foram tempos muito difíceis, tempos de fome, “uma vida dura”. Na altura eram muito poucas as indústrias, tudo era feito à mão, mas aos poucos foram introduzindo algumas tecnologias como a pintura à pistola e entretanto, por volta dos seus 15 anos, as coisas começaram a melhor um pouco e a vida deixou de ser tão escrava, apesar das privações normais de uma família humilde.

Entretanto chegou a altura do serviço militar. Apesar de Manuel ter muito vontade de o cumprir porque seria também uma forma de sair de casa durante algum tempo e “espalhar” um pouco a cabeça, o seu pai já estava bastante doente e pediu-lhe para não ir e Manuel decidiu ficar para auxiliar a família.

Os anos foram passando e Manuel trabalhava com a mãe e irmãos em casa fazendo os bonecos e nas horas vagas era barbeiro e assim se manteve durante vários anos. Casou com Maria Emília Sousa Abreu aos 26 anos e tiveram 5 filhos.

Depois de casar continuou a trabalhar com a mãe, juntamente com a sua esposa, até que se estabeleceu por conta própria. Aos cinco filhos ensinou o mesmo ofício que aprendera em pequeno.

Dedicou toda a sua vida ao barro e à barbearia, que foram as suas grandes paixões, mas a idade foi avançando e acabou por deixar a barbearia, sobretudo, por pedido da mulher, depois de laborar nesta área mais de 40 anos. O figurado é que não conseguiu deixar, sendo que a peça mais cobiçada era a procissão, apesar de que os presépios e as bandas de música também eram bastante requisitados.

Manuel Barbeiro faleceu no dia 6 de setembro de 2018.

1932

“Cunha Caldeireiro”

José Fernando da Cunha Ferreira

José Fernando da Cunha Ferreira nasceu a 22 de Dezembro de 1932 em Barcelinhos. Começou a trabalhar o cobre por influência do seu pai, João da Cunha Ferreira. Este último vivia na cidade de Braga e tinha como ofício a profissão de “caldeireiro”, como se chamava na altura. Fazia alambiques, caldeiras, chaminés e outras utilidades em cobre, todas elas executadas manualmente, com recurso à força de “bater o martelo”. As peças mais produzidas eram essencialmente alambiques devido à grande produção de aguardente e máquinas de sulfatar. Após o seu falecimento do seu pai, José Fernando da Cunha Ferreira, decidiu continuar a arte de caldeireiro, com estabelecimento aberto em Barcelos, na Rua da Madalena, desde 2 de Janeiro de 1932, configurando-se como uma das mais antigas lojas desta natureza em Portugal, tendo marcado gerações de barcelenses. O seu nome diz tudo sobre a sua identidade “Cunha Caldeireiro” como carinhosamente todos os apelidavam, mostra a consciência popular da identidade artística deste barcelense.

Pessoa de trato afável, de uma simplicidade única, mas de uma capacidade de trabalho fantástica, transformando-se de per si uma referência das artes e ofícios tradicionais em Barcelos e na região, e ponto de atratividade para todos os grupos de turismo em visita ao Norte de Portugal. Apesar dos inúmeros pedidos de participação em feiras, preferiu sempre apostar na sua loja que se tornou um espaço emblemático das artes e ofícios tradicionais em toda a região norte. Um espaço onde a tradição de um ofício singular se juntou a uma capacidade invulgar de inovar e de adaptar esta arte inicialmente utilitária a contextos criativos, este caminho foi já percorrido em parceria com o seu filho João.

Em 2011 recebeu por parte do Município a distinção na área da produção de Metais, Ferro e Derivados em face do seu forte historial e por ser um dos artificies mais nobres do concelho de Barcelos em áreas distintas da Olaria e do Figurado.

Para além da dimensão artística e artesanal foi sempre um Barcelense exemplar tendo participado na fundação do Óquei de Barcelos e dedicado 30 anos ao serviço dos Bombeiros Voluntários de Barcelos. Teve reconhecidamente uma postura ativa na dinamização da comunidade local.

Faleceu a 19 de Junho de 2018 na Cidade à qual dedicou toda a sua vida social e artística, tendo-se tornado um referência incontornável das artes e ofícios tradicionais em Barcelos .

1950

“Manel Zé”

Manuel José Fernandes Pereira

Manuel José Fernandes Pereira nasceu, a 29 de Outubro de 1950, na freguesia de Oliveira.

Iniciou a actividade de oleiro nas ocupações que teve em pequenas indústrias de cerâmica da região.

Em 1974, com 24 anos, emigrou para França onde trabalhou durante um ano na construção de estradas.

Quando regressou, casou com Maria Emília Macedo Gonçalves Pereira, companheira de sempre que, apesar das dificuldades, o acompanhou na busca de uma vida estável entre França e Portugal. Mais tarde, com ajuda da esposa, optou, definitivamente, por se dedicar ao ofício de vocação, o de rodista.

Aspirando continuar a arte, tornou-se sócio do amigo António “Lourenço” numa pequena empresa de cerâmica. Na “Citânia”, em Oliveira, laborou sempre como rodista. Fazia, essencialmente, louça decorativa vidrada.

Com o encerramento da empresa, deu continuidade ao sonho através de um pequeno negócio que montou na sua própria casa. Fez várias exposições de artesanato, das quais se distinguem a de Vila Nova de Cerveira e também a Mostra da cidade de Barcelos.

Aos 28 anos foi atraiçoado por uma grave doença que o impossibilitou de continuar a laborar. Débil, passou a fazer apenas os acabamentos, a tornear e a vidrar as peças. Mesmo bastante fragilizado, acompanhou sempre de perto a labuta dos filhos que deram continuidade à sua obra.

Faleceu aos 40 anos, no dia 15 de Maio de 1990. Tal como o seu sócio e amigo António “Lourenço”, marcou o artesanato local pela inovação das formas e design das suas peças.

1959

António “Lourenço”

António Gomes de Oliveira

Vulgarmente conhecido por António “Lourenço”, António Gomes de Oliveira nasceu, a 28 de Setembro de 1959, no lugar de Vilela, na freguesia de Oliveira. Cresceu na casa do avô rodeado pela magia da argila. Dele herdou a actividade de oleiro e o mesmo gosto pela arte.

Do seu avô recebeu ainda o apelido “Lourenço”, porém, desconhece-se a origem. Ainda muito jovem, com treze anos apenas, começou a trabalhar como rodista. Com o passar dos anos, adquiriu experiência e conheceu novas técnicas de trabalhar o barro.

Aos 23 anos iniciou uma nova etapa da sua vida expondo no Centro de Artesanato de Barcelos, assim como, em diversos locais do país. Orientou um negócio de cerâmica com o amigo e sócio “Manel Zé”. Na “Citânia”, assim se chamava a empresa, dedicou-se, principalmente, à feitura de louça decorativa vidrada, à roda, mas também ao fabrico de miniaturas, as quais o tornaram bastante conhecido.

Entretanto, passou a laborar num anexo de sua casa com a ajuda da esposa, Inês Calisto Machado.

Com o apoio do Centro de Artesanato, realizou várias exposições em países como a França, no ano de 1982, e no Rio de Janeiro, no ano seguinte.

Progrediu no seu trabalho com o passar dos anos, indexando à arte popular novas cores e linhas, sem nunca abandonar os saberes e utensílios artesanais, facto que se verificou na sua crescente projecção nacional e também internacional.

Delatado pela enfermidade, que o incapacitou de trabalhar na roda de oleiro, chegou a fazer algumas imagens inspiradas no figurado, simples, mas com o mesmo toque artístico e apaixonado que empregou em todas as outras ao longo da sua vida.

Faleceu com 44 anos, no dia 17 de Março de 2003, mas legou ao artesanato e cerâmica local a certeza que a inovação e a tradição são características perfeitamente conciliáveis no design e nas formas do artesanal local.

 

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