O Município de Barcelos assinalou hoje o 52.º aniversário da Revolução de Abril com uma sessão solene realizada no Auditório dos Paços do Concelho, num momento de evocação que reuniu as diversas forças políticas em torno dos valores da liberdade e da construção do futuro.
A iniciativa contou com a participação de todos os partidos com representação na Assembleia Municipal, que apresentaram intervenções alusivas à data e ao significado histórico da Revolução dos Cravos.
Na ocasião, o presidente da Câmara Municipal de Barcelos, Mário Constantino Lopes, lembrou que “os portugueses viveram o mais longo regime autoritário do século XX na Europa”, realçando que “foram décadas de ditadura que significaram muito mais do que repressão, medo e ausência de liberdade”.
“Significaram uma centralização do poder político absolutamente esmagadora, num país que sobrevivia de forma dramaticamente atrasada”, disse.
“Entre o muito que Abril nos proporcionou a todos”, Mário Constantino Lopes sublinhou que “a descentralização administrativa e o reforço do Poder Local foi uma das conquistas mais importantes e decisivas”.
Lembrando que Portugal celebra, em 2026, os 50 anos das primeiras eleições autárquicas em democracia, o presidente da Câmara de Barcelos alertou para o facto de o país estar a viver “uma certa crise de memória, em grande parte gerada por discursos populistas e pelo irresponsável abandono do compromisso com a verdade”. Daí que considerou fundamental recordar como estava o país há 50 anos.
Focando-se em Barcelos, Mário Constantino Lopes recordou algumas realidades anteriores ao 25 de Abril. “Começando pelas acessibilidades, que se baseavam numa rede viária rudimentar e promoviam o isolamento geográfico de freguesias periféricas, limitando o seu desenvolvimento. Muito graças ao Poder Local, estes últimos 50 anos proporcionaram algo que hoje damos como adquirido desde sempre: boas ligações entre o centro e a periferia, através de estradas pavimentadas”, disse.
Um esforço que, continuou, “só nos últimos quatro anos, se traduziu numa verdadeira revolução na rede viária, com a realização da circular urbana em vias de conclusão, a abertura de mais de 270 caminhos nas freguesias, graças ao programa Novos Caminhos, e o início da requalificação de dezenas de quilómetros de estradas, designadamente através do Programa de Requalificação das Estradas do Concelho”.
“O desenvolvimento de Barcelos, impulsionado pelo Poder Local democrático, passou também por uma profunda modernização de infraestruturas e por um investimento sem paralelo em equipamentos desportivos, culturais, escolares e sociais”, acrescentou.
Realçando que, no período pré-democrático, existia uma “dramática escassez de espaços”, Mário Constantino Lopes destacou o papel do Poder Local na construção de “uma rede de excelência, que permitiu democratizar o acesso à cultura, ao desporto e a uma educação de proximidade”.
“Uma rede que deve e vai continuar a melhorar, sendo exemplo disso mesmo o futuro Multiusos — Barcelos Arena, cujo procedimento de concurso público para a empreitada de conceção e construção foi recentemente aprovado, por unanimidade, em reunião de Câmara”, destacou.
O autarca recordou, ainda, o atraso que existia em termos de abastecimento de água e saneamento que, há 50 anos, tornava Barcelos “um concelho com uma cobertura residual, quase exclusivamente dependente de poços e fossas sépticas”
Apesar das dificuldades que reconheceu terem existido neste capítulo, “por motivos e responsabilidades que já todos conhecemos”, Mário Constantino Lopes salientou que o concelho “vive hoje uma nova era, com a retoma dos investimentos na rede de água e saneamento”.
O presidente da Câmara sublinhou, igualmente, a educação enquanto uma das principais conquistas de Abril, enaltecendo o papel do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA) na gigantesca transformação que ocorreu nos últimos anos em Barcelos.
“Evoluímos de uma sociedade onde o analfabetismo era estrutural”, destacou, lembrando que “na década de 1990, Barcelos estava abaixo da média da região e da média nacional no número de jovens a frequentar o ensino superior”. Passados 30 anos, “estes números inverteram-se, encontrando-se agora acima da média regional e nacional”.
“Fazendo jus ao que a Revolução de 1974 nos proporcionou, o Município de Barcelos continuará, por isso, a apostar no aprofundamento da sua ligação com as instituições de ensino”, garantiu Mário Constantino Lopes.
Mas não só, garantiu: “também em políticas que promovam a fixação dos jovens, que apoiem as famílias, que modernizem a economia e que aprofundem a ligação com o tecido empresarial e o movimento associativo”.
O investimento municipal realizado nos últimos anos foi, aliás, um dos pontos destacados pelo autarca, lembrando que “só no último mandato, entre 2021 e 2025, o investimento municipal ascendeu a 86,9 milhões de euros”. Ou seja, acrescentou, “em apenas quatro anos, investimos mais do que os anteriores executivos em 12 anos”.
Segundo Mário Constantino Lopes, “isto significa maior compromisso, maior responsabilidade, mais obras e projetos que terão um forte impacto no desenvolvimento do nosso concelho e na vida dos barcelenses, em suma, uma verdadeira visão estratégica para o futuro da nossa terra”.
Neste contexto, o presidente da Câmara adiantou, ainda, que “Barcelos tem, atualmente, aprovados investimentos PRR superiores a 67,7 milhões de euros, distribuídos por diferentes áreas”. O maior bolo, de 35 milhões de euros, destina-se à habitação, seguindo-se a saúde, o parque escolar e as creches, entre outros projetos.
De acordo com o autarca, “a generalidade destes investimentos encontra-se em fase de execução, apresentando níveis de maturidade compatíveis com o calendário do PRR”.
“E embora não haja qualquer previsão de perda de financiamentos no âmbito do PRR, o Município de Barcelos tem vindo a acautelar soluções alternativas, designadamente através da articulação com o Portugal 2030 e da mobilização de instrumentos complementares de financiamento”, disse.
Mesmo assim, Mário Constantino Lopes manifestou alguma preocupação com “os timings”, mas revelou confiança de que “o Governo e a Europa encontrarão as soluções necessárias para acomodar os investimentos previstos e aprovados.
Por fim, depois de afirmar que “não há democracias nem sociedades perfeitas”, o presidente da Câmara alertou para os atuais perigos da “manipulação da informação e desconsideração pela verdade”.
“Há que continuar a resistir e a lutar, todos os dias, pela nossa Democracia, pela Liberdade. Recuperando palavras Francisco Sá Carneiro, «há que saber resistir a toda esta guerra psicológica»”, concluiu.
Na intervenção final da sessão, o presidente da Assembleia Municipal de Barcelos, Fernando Pereira, prestou homenagem aos militares de Abril e aos deputados da Assembleia Constituinte, sublinhando também a importância da Constituição de 1976 na afirmação e consolidação do regime democrático e do poder local.
Salientou igualmente o papel da Assembleia Municipal de Barcelos enquanto espaço de participação democrática, fiscalização e transparência, lembrando a evolução do poder local desde 1974.
Por fim, apelou à defesa ativa da democracia e ao reforço da participação cívica, em especial das gerações mais jovens, sublinhando que o 25 de Abril deve ser vivido como um compromisso contínuo com a liberdade e a justiça social.



