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Discurso do Dia da Cidade de Barcelos - 31 de Agosto de 2011

Exmº Senhor Presidente da Assembleia Municipal

Exmªs Senhoras e Senhores Vereadores

Exmªs Senhoras e Senhores Presidentes de Junta

Exmªs Senhoras e Senhores Deputados Municipais

Caras e Caros convidados

Caras e Caros cidadãos

Senhoras e Senhores Jornalistas

 

Há 83 anos, Barcelos realizava uma das suas maiores aspirações: tornar-se cidade!

A decisão do Governo de então, tomada no dia 31 de Agosto de 1928, encheu de alegria e contentamento os barcelenses que, nesse mesmo dia, organizaram uma “grandiosa” marcha luminosa pelas ruas da cidade.

Este acontecimento histórico para a vila de Barcelos e para o seu concelho não foi ao acaso.

A elevação de Barcelos a cidade foi o culminar de uma luta iniciada muitos anos antes pelas forças progressistas que queriam afirmar esta terra no contexto da região e do país.

No princípio da década de 20, Barcelos conheceu um surto de desenvolvimento industrial: em 1921 é inaugurada a fábrica “A Barcelense” e em 1923 é criada a Fábrica de Fiação e Tecidos de Barcelos. O início de actividade da “Fábrica de Moagem do Cávado”, em 1920, o incremento da indústria da serração, o acentuado desenvolvimento comercial e a afirmação da importância de Barcelos como entreposto agrícola entre as localidades do litoral e os concelhos do interior, fizeram com que a estação de caminho-de-ferro de Barcelos se tornasse na mais importante, depois da Régua, na região de Entre Douro e Minho.

O poder político concelhio soube estar à altura da capacidade de iniciativa e do empreendedorismo da sociedade civil, criando condições para um maior peso e prestígio político de Barcelos, numa altura em que ser cidade significava desenvolvimento económico e progresso social.

Os homens que se bateram pela elevação de Barcelos a cidade quiseram responder ao desinvestimento por parte do Estado, que retirou à vila importantes valências militares e sociais. Mas, sobretudo, os homens que se bateram por esta causa quiseram afirmar positivamente o nome de Barcelos, escrevendo com palavras de optimismo o futuro da cidade e do concelho.

A elevação de Barcelos a cidade foi há 83 anos.

Porque se evoca hoje um tempo e uma realidade tão distantes?

Porque é nosso dever, enquanto barcelenses, olhar a História desta terra e deste povo e honrar todos aqueles que se dedicaram de alma e coração a Barcelos;

Porque é também nosso dever aprender com quem fez bem à cidade e ao concelho, actuar positivamente na afirmação da nossa terra e defender os nossos interesses em todas as instâncias do poder central.

Os tempos que vivemos escorraçaram qualquer réstia de optimismo.

A crise financeira que abala o mundo, desde pelo menos 2008, e a agudização da crise das dívidas soberanas exigem sacrifícios brutais aos cidadãos às famílias às instituições públicas e em especial às autarquias locais.

Contudo, ninguém está em condições de garantir que não se imponham ainda mais sacrifícios em nome de uma economia financeira falida e minada pela especulação e pelo irrealismo. E, talvez pior, ninguém está em condições de antever as consequências sociais, económicas e políticas destes sacrifícios.

É neste contexto de incerteza que estamos situados e é nele que temos de encontrar respostas para os problemas da nossa cidade e do nosso concelho.

 

Caras e Caros cidadãos:

Os sucessivos cortes orçamentais – que, em 2011 e 2012 retiram a Barcelos quase 3 milhões de euros – aliados à descida acentuada de receitas municipais, representam um forte constrangimento ao investimento e consequentemente ao desenvolvimento.

Contudo, Barcelos não está nem ficará paralisado, mesmo que a contenção a prudência e a responsabilidade orientem a nossa acção.

Este executivo continuará a sua política de desenvolvimento sustentado, de repartição equitativa de investimentos e de apoios, e de aposta nos factores críticos de progresso.

Num momento em que se avolumam problemas de emprego e de diminuição de prestações e de cuidados sociais, a Câmara Municipal tem de continuar a ser a almofada social de muitos barcelenses que a ela recorrem;

Num momento em que se questionam os fundamentos do Estado Social, este executivo não tem dúvidas quanto ao seu papel na educação e, por isso, manterá todos os apoios escolares, a oferta de manuais e a melhoria do parque escolar concelhio;

Num momento em que se acentua o carácter centralista do poder central – a pretexto de um conceito de poupança muito discutível – este executivo reafirma as virtualidades da autonomia autárquica e a confiança nos seus agentes, mantendo a transferência de 200% do FFF para as freguesias, elegendo-as, de facto, como parceiras fundamentais e de ligação de proximidade aos cidadãos no progresso equilibrado do concelho;

Num momento em que se questionam os investimentos públicos, este executivo lembra o compromisso do poder central na construção do novo Hospital e reitera a necessidade imperiosa da melhoria do caminho-de-ferro que atravessa o concelho;

Num momento em que o nosso país se bate pela estabilidade financeira e pela sustentabilidade económica, isto é, pelo futuro de todos nós, este executivo municipal bate-se pela justeza de contratos e parcerias firmados no passado, que reponham a equidade das partes e a transparência dos negócios, de forma a não comprometer o futuro de Barcelos e dos Barcelenses;

Num momento em que se pede aos portugueses compreensão e sacrifícios em nome de um futuro mais tranquilo, este executivo afirma o primado do cidadão nas suas políticas, devolvendo-lhe verdade na governação municipal e dignidade de viver num concelho livre e independente de interesses;

Num momento em que se pede acção aos portugueses, este executivo municipal mantém uma luta sem tréguas, contra factores de inércia e de condicionamento político – como o contrato de concessão da água e saneamento e a parceria público-privada;

Num momento em que se reivindica a definição de políticas voltadas para um desenvolvimento sustentado, este executivo trabalha na aceleração do processo de revisão do Plano Director Municipal e na elaboração de um plano de desenvolvimento estratégico para os próximos 10 anos (Estratégia Municipal Barcelos 2020).

 

Caras e Caros cidadãos

Tal como há 83 anos, Barcelos espera ver reconhecido o seu valor para que possa ombrear com as principais cidades da região e do país.

É certo que os constrangimentos financeiros e a indefinição de políticas públicas centrais, podem comprometer o futuro do desenvolvimento de Barcelos.

Contudo, temos condições seguras de progresso.

Desde logo, o espírito de missão e de entrega à causa da nossa terra.

Hoje está entre nós e é homenageado um homem que se entregou a uma causa em que sempre acreditou: o Gil Vicente Futebol Clube. O senhor João Trigueiros representa para nós, barcelenses, o homem que persiste na luta por uma causa e que faz dela a força da sua vida.

Eis boas razões porque este executivo não podia deixar de assinalar a elevação de Barcelos a cidade, ainda que numa cerimónia simples e modesta, mas cheia de significado: encontrar caminhos e luzes que nos orientem na confusão dos dias e nos guiem em direcção ao futuro.

Essas luzes são aqueles homens que há mais de oito décadas lutaram pela elevação de Barcelos a cidade, são pessoas como o Sr. João Trigueiros, mas podemos ser todos nós!

Um bem haja a todos aqueles que tornaram possível esta realidade e nos permitem hoje com orgulho dizer, SOU DA CIDADE DE BARCELOS

 

Muito obrigado!