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Discurso do Dia da Cidade de Barcelos - 31 de Agosto de 2010

 

Exma. Sra. Secretária de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, Dra. Fernanda Carmo

 

Exmo. Sr. Presidente da Assembleia Municipal de Barcelos – Dr. José Costa Araújo

 

Foi em 31 de Agosto de 1928 que Barcelos recebeu a categoria de cidade. Na passagem pelos 82 anos desta tão significativa efeméride parece-me importante uma curta análise do que foram estas mais de oito décadas deste centro urbano, a par de uma perspectiva de futuro.

 

O dia é de festa e de celebração da nossa urbanidade mas também de reflexão sobre o que foi feito, o que está a ser realizado e o que falta fazer para que Barcelos Cidade seja um melhor lugar onde se viver, um melhor concelho onde se trabalhar e uma melhor cidade para visitar.

 

Em 31 de Agosto de 1928, Barcelos tinha pouco mais de mais 50 mil habitantes, com predominância nos aglomerados urbanos de Barcelos, Barcelinhos e Arcozelo. Embora com bons índices de desenvolvimento demográfico, comercial e industrial, Barcelos era muito dependente da agricultura, sendo um sector forte, e talvez a par da cerâmica e do artesanato, a maior referência económica do concelho.

 

Mais de oito décadas volvidas, percebemos que o sector primário continua a ter uma predominância muito significativa no nosso concelho. A agricultura reestruturou-se e os agricultores perceberam a necessidade de adaptação às novas exigências das lógicas de mercado e da concorrência.

Mas não menos verdade é que existem problemas que continuam a subsistir, sendo que o mais premente é o processo conducente à legalização das explorações. É uma das nossas preocupações, pelo que, em articulação e estreita colaboração com as entidades representativas do sector, estamos a analisar a melhor solução para que a capacidade de negócio dos actuais produtores agrícolas não diminua e até se fortaleça.

Barcelos é um concelho com uma ruralidade significativa, não nos escusamos de o dizer e até com orgulho o dizemos, mas queremos trabalhar para que Barcelos passe a ser um concelho com uma ruralidade produtiva, moderna e não subaproveitada.

 

Na indústria, durante estes 82 anos, o sector era uma referência empregadora, hoje temos um tecido industrial vasto que atravessa um sério processo de transformação, postas as novas condicionantes que a globalização mundial distribuiu. Barcelos é um sério pólo da indústria têxtil, tendo nos dias de hoje empresas de referência mundial. Neste sector, os problemas são diversos, sendo a baixa escolaridade e a diminuta formação um dos grandes constrangimentos da nossa evolução como concelho.

 

Atentos a esta realidade estamos, em conjunto com as instituições do sector, a ultimar um projecto reformador do tecido industrial para a marca Barcelos, a Cidade Têxtil, que mereceu já palavras de agrado por parte do senhor Ministro da Economia e que estamos convictos do seu impacto na economia local, regional e nacional, através da criação de postos de trabalho de qualidade nas várias áreas profissionais.

 

Com este projecto, Barcelos irá recentrar, reorganizar e reestruturar o seu tecido produtivo e a sua localização nacional e mundial ao nível da capacidade de resposta das novas exigências inerentes a um mercado com concorrencial como o do têxtil.

O projecto está inserido num programa estratégico mais alargado de desenvolvimento sustentado para o nosso concelho e que em breve será tornado público.

 

No comércio e nos serviços, a dinâmica também é ascendente e os empresários souberam ao longo destes anos ultrapassar as várias vicissitudes que lhes foram postas por força das novas formas e métodos de comercialização através da introdução de novos produtos e novos hábitos de consumo a que o sector correspondeu de forma bastante positiva.

O tecido empresarial barcelense sabe que por força das novas regras de mercado, da abertura das diversas economias, em suma, da globalização, teve que se adaptar a estas novas circunstâncias. E há que fazer essa justa referência, pois de uma forma global, salvo raras excepções, aconteceu.

E é toda esta dinâmica e espírito de sacrifício que nos permite encarar o futuro de uma forma mais confiante e promissora.

 

Todas estas dinâmicas são primordiais para qualquer concelho, mas uma coisa é certa, sem sector educativo público de qualidade, qualquer esforço empresarial ou económico é questionado.

O passado assim o demonstrou. Temos um concelho com baixo nível de escolaridade e um preocupante abandono escolar precoce e que ao longo dos anos não lhe foi dada a devida atenção.

Este Executivo encara o ensino como uma das suas prioridades a desenvolver através da Carta Educativa de 2006, todo um planeamento sustentado do futuro educativo do concelho, reformado e adaptado para a realidade actual, tendo em vista a evolução demográfica do concelho e o superior interesse das nossas crianças e jovens.

Temos 19 centros escolares aprovados e corremos agora contra o tempo para conseguirmos implementar todos os projectos. Como disse e reforço, a educação para este Executivo é prioritária, por isso, não nos pouparemos a esforços para que os novos centros escolares sejam uma realidade a muito curto prazo.

Não temos tempo para adiar mais o desenvolvimento real e efectivo do nosso concelho.

Sabemos e temos perfeita consciência que só sendo um concelho educado e formado é que podemos ser um concelho desenvolvido, estruturado e devidamente sustentado.

 

Se em 1928 Barcelos apresentava melhores índices de desenvolvimento que outras cidades, em 2010 queremos trabalhar para que Barcelos Cidade seja mais cultural, mais dinâmico e mais competitivo. Queremos apresentar uma cidade mais bonita e descobrir um centro urbano mais harmonioso.

 

Queremos um concelho no seu todo agradável, igualitário e com qualidade de vida para os nossos munícipes.

Sabemos que tarefa não é fácil, dadas as diversas condicionantes que vivemos a nível local, nacional e mundial, mas não serão estas circunstâncias que impedirão a nossa determinação em consegui-lo.

 

 

Em dia de festa e de aniversário de elevação de Barcelos a Cidade, atribuímos o Prémio Municipal de Arquitectura Régio João Antunes.

Este é um Prémio a que pretendemos dar seguimento, ainda que com algumas readaptações, que entretanto serão anunciadas. Alterações que achamos essenciais à justiça do Concurso é à coerência dos projectos concorrentes, e que irão ser integradas no Prémio Municipal de Arquitectura 2011.

Deixo aqui um cumprimento especial a todos os participantes, arquitectos, promotores e construtores, que também eles contribuíram e contribuem para a modernização do nosso concelho, desenvolvendo um papel importante do nosso futuro.

 

 

Sra. Secretária de Estado, este é um concelho muito particular, desde logo pelas suas 89 freguesias, que fazem de Barcelos o maior concelho do país. Um ordenamento territorial que muito nos dignifica, mas que encerra em si uma série de constrangimentos ao nível do ajuste das necessidades das várias freguesias em consonância com a capacidade de suporte orçamental do Município de Barcelos.

 

Estamos em fase de conclusão do Plano Director Municipal. Um processo moroso, cuja sua conclusão é muito ansiada pela população de Barcelos. Por isso, numa politica de cidadania activa, estamos já a preparar um conjunto de sessões de esclarecimento junto da população, para que qualquer cidadão de Barcelos ou com ligação a este concelho, possa pronunciar-se sobre a revisão do PDM, mesmo antes do período de consulta pública obrigatório por lei.

É importante que os cidadãos de forma participada e activa contribuam directamente num instrumento que é estruturante e com muita influência na sua vida e no seu futuro.

 

 

Neste dia de celebração de 82 anos de Barcelos Cidade, dou os parabéns à cidadania barcelense e a todos nós que temos orgulho em dizer:

Sou barcelense, porque Barcelos é dos Cidadãos!

 

Muito obrigado.