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Discurso do Dia da Cidade e inauguração da requalificação do Museu de Olaria – 31 de Agosto de 2013

Ex.mª Sra. Dra. Isabel Silva, representante da Direção Regional da Cultura do Norte

Exmº Senhor Presidente da Assembleia Municipal

Exmªs Senhoras e Senhores Vereadores

Exmªs Senhoras e Senhores Presidentes de Junta

Caras e Caros cidadãos

Senhoras e Senhores Jornalistas

 

Há 85 anos, Barcelos cumpria um dos grandes anseios do seu tempo: tornar-se cidade!

A decisão tomada pelo Governo, no dia 31 de Agosto de 1928, de atribuir o estatuto de cidade à velha vila de Barcelos, foi muito festejada, pois correspondeu a um desejo profundo de todos os setores da sociedade barcelense.

Barcelos afirmava-se naquele primeiro quartel do século XX como um concelho de referência na região, mostrando um dinamismo económico e demográfico que viria a ser posto em causa pelo poder central com o encerramento de serviços públicos.

Contudo, os homens daquele tempo souberam interpretar a vontade dos barcelenses e tudo fizeram para cumprir o seu desígnio: elevar Barcelos a cidade!

É esse gesto refundacional da cidade que hoje comemoramos e que queremos tomar como inspirador para melhor podermos cumprir os anseios do nosso tempo.

Ao longo destes 85 anos, a cidade mudou, como mudou toda a sociedade.

Hoje, podemos consultar documentos, percorrer a cidade, olhar o seu movimento histórico e avaliar como se cumpriu, em cada momento, o desígnio da cidadania.

E cumprir esse grande objetivo é a tarefa que desenvolvemos, pois foi esse mesmo que os barcelenses nos delegaram.

E se hoje podemos falar dos que no passado cumpriram a sua missão de engrandecer Barcelos e o seu concelho, também no futuro outros falarão de nós e dirão o quanto cumprimos os desígnios dos nossos cidadãos.

De nós até poderão dizer que falhamos a perfeição, mas sempre poderão dizer que a tarefa que cumprimos serviu apenas os cidadãos.

Repito: serviu apenas os cidadãos!

A cidade – no seu conceito original de um espaço vital de uma dada comunidade – é o lugar de realização dos cidadãos.

A cidade não pertence a corporações ou a partidos, porque não é propriedade de grupos ou de interesses de grupos;

A cidade não está refém de vontades ou de gostos pessoais e, por isso, não pode ficar presa a projetos megalómanos ou a elaborações mentais perversas.

A cidade cumpre-se na defesa intransigente dos cidadãos e, por isso, o exercício do poder só faz sentido quando se governa com verdade!

Ora, este é o nosso projecto para a cidade de hoje e do futuro.

Um projeto de cidadania forjado na verdade, que encerra um conceito de mudança na relação do Município com os cidadãos, em que os espaços municipais são colocados ao serviço dos cidadãos e em que são restituídos às Juntas de Freguesia e à sociedade em geral a dignidade e o respeito devidos.

Um projecto de cidadania que incorpora uma prática de transparência e boa gestão dos dinheiros públicos, que define prioridades políticas correspondentes às verdadeiras necessidades dos munícipes, que acautela os interesses dos barcelenses denunciando contratos lesivos para o concelho, e que defende a autonomia e a dignidade do poder local.

Em suma, um projecto de cidadania que se cumpre em cada momento do processo de parceria que estabeleceu com os diversos sectores da sociedade civil.

Caras e caros cidadãos:

O Dia da Cidade que hoje comemoramos foi, para os barcelenses de há 85 anos, o desfecho de um longo processo de luta pela dignificação de Barcelos e das suas gentes. Ora, este exemplo não pode deixar de nos inspirar nas lutas que diariamente travamos pela melhoria da qualidade de vida dos barcelenses, como as que vivemos por causa da crise económico-financeira que nos atingiu nos últimos anos.

Uma crise que se propagou a todos os sectores da sociedade, incluindo as empresas, que têm sentido enormes dificuldades devido à quebra do investimento e do rendimento das famílias, a que se juntam as dificuldades de acesso ao crédito bancário.

Muitas foram levadas à falência, deixando para trás multidões de desempregados e obras por acabar.

Foi o que aconteceu com o edifício que hoje inauguramos.

O Museu de Olaria foi vítima da crise e, por isso, fomos privados, durante vários anos, de um dos equipamentos culturais de referência da cidade.

Ao longo deste processo, tudo fizemos para que as obras fossem concluídas o mais rapidamente possível, mas os constrangimentos que iam surgindo não o permitiram.

Com efeito, os problemas técnicos e jurídicos decorrentes da paragem da obra e da insolvência da empresa, acrescidos das limitações financeiras impostas pela Lei dos Compromissos, foram adiando a tão desejada abertura do Museu de Olaria, um espaço único no país e fundamental para o desenvolvimento das políticas culturais e turísticas do nosso Município.

Agora, o Museu pode voltar a desempenhar em pleno o seu papel insubstituível no estudo e divulgação da olaria de Barcelos, de Portugal e do mundo, designadamente entre a população mais jovem do concelho, através do seus programas de educativos e formativos.

Mas o Museu pode ser muito mais e será com certeza.

Pode ser, a cada instante, um local de reinvenção e de criação permanente se nos deixarmos tocar pelo exemplo de determinação dos barcelenses de há 85 anos e pelo exemplo criativo dos nossos mestres oleiros.

A terminar, gostaria de expressar o agradecimento a todos quantos, dentro do Município e fora dele, se empenharam para que esta inauguração fosse possível.

 

Muito obrigado!