O DIREITO À VERDADE
Caras e caros Barcelenses,
Desde o dia em que tomei posse que a questão da água é uma das minhas grandes preocupações. E porquê? Porque, para além do compromisso assumido em campanha eleitoral, quando tentei negociar a descida do preço da água com a concessionária, fui confrontado com três situações:
Primeira: um pedido de reequilíbrio financeiro apresentado pela Águas de Barcelos em Julho de 2009, com um prazo de 90 dias para se efectuar o acordo, o que não foi cumprido pelo anterior executivo liderado por Fernando Reis.
Segunda: um aumento do preço da água em 38 por cento a partir de 1 de Janeiro de 2010.
Terceira: o alargamento do prazo da concessão de 30 para 40 anos.
No Tribunal Arbitral, o anterior presidente da Câmara confirmou que não aumentou o preço da água porque estava em campanha eleitoral.
É perfeitamente claro que os documentos que me foram entregues do contrato de concessão, assinado em 2005, não correspondiam à verdade total e não continham todas as barbaridades e monstruosidades de um contrato injusto, penoso, violento e, acima de tudo, com custos muito elevados para as várias gerações de Barcelenses.
Nesse contrato, o executivo presidido por Fernando Reis aceitou várias cláusulas sem qualquer sentido, como, por exemplo, consumos de água por cada Barcelense de 138 litros/dia, com aumentos graduais até 165 litros/dia até 2018, quando sabia, pelos estudos apresentados, que o consumo era de cerca de 70 litros/dia. Foi isto que levou a empresa Águas de Barcelos, SA, a exigir o reequilíbrio financeiro, em Julho de 2009.
No mesmo contrato, o executivo liderado por Fernando Reis remete para um Tribunal Arbitral de Lisboa a litigância de qualquer conflito, quando o Tribunal Arbitral podia funcionar em Barcelos, o que já custou à Câmara cerca de um milhão de euros.
E mais, o anterior executivo de Fernando Reis:
• Abdicou do direito ao recurso das decisões do Tribunal Arbitral, não permitindo a contestação da Câmara.
• Avalizou uma operação bancária superior a 40 milhões de euros, que, em caso de incumprimento por parte da empresa, terá que ser o Município a assumir a despesa.
• Aceitou o pagamento dos ramais de água e de saneamento a preços incomportáveis para os munícipes.
• Assinou um contrato sem qualquer apoio jurídico dos serviços municipais ou da sociedade de advogados externa.
É precisamente isto, assim como a legalidade do concurso público internacional da concessão, que está no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) e no Ministério Público em investigação, após duas inspecções feitas pela Inspecção-Geral da Administração Local (IGAL) à Câmara Municipal.
Agora, o Tribunal Arbitral condena o Município a pagar já 24,6 milhões de euros de reequilíbrio financeiro, relativo ao período de 2005 a 2009, e 5,9 milhões de euros por ano até 2035, o que perfaz um total de 172 milhões de euros. Os números provam, assim, que a concessão estava desequilibrada desde o primeiro dia.
O que é lamentável e condenável é que os responsáveis políticos do passado, agora na oposição, afirmem publicamente que, se fosse hoje, voltariam a assinar o mesmo contrato, continuando a não pensar nos Barcelenses.
Garanto-vos que tudo estou a fazer e não descansarei enquanto não tiver uma solução para esta causa da água e do saneamento que garanta um preço justo para todos.
Vou continuar a lutar.
Vou até onde for preciso.
Prometo-vos que não desistirei.
Barcelos, Janeiro de 2012
O Presidente da Câmara Municipal de Barcelos
Miguel Costa Gomes







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